Ricardo Souza - 24 de Outubro de 2013 - (4278 j leram)

Origem e evoluo da Capital do Serto

Tomando por base a Bacia do Paraba, no que se refere aos seus antigos habitantes, os registros da histria apontam os ndios Cariris como pioneiros na explorao, com fixao predominante na regio da Borborema, alm dos aglomerados situados nas margens dos rios do Peixe e Jaguaribe.

Com a chegada da Nao Potiguara, proveniente do sul do Brasil, que se localizou no litoral paraibano, passou a existir a luta pelo domnio territorial, obrigando a retirada da primeira tribo, com destino ao interior. Nessa fuga da taba original ocorreu uma desagregao, com a formao de novos grupos, proclamados como independentes, dentre os quais Pegas e Panatis que se situaram na regio das Espinharas.

No sculo XVII, comearia o embate entre ndios e brancos, poca em que a famlia Oliveira Ledo, vinda da clebre Casa da Torre, nas margens do So Francisco, chegava ao Serto depois de atuar no Cariri, com o objetivo de conquistar a propriedade das terras, para efeito de colonizao. As duas organizaes indgenas aqui situadas, somadas aos Coremas que fixaram moradia no Vale do Pianc, reagiram contra os desbravadores, numa luta das mais aguerridas, at a consolidao da soberania dos brancos, que finalmente puderam plantar a semente da civilizao futura.

No encontro dos rios: Cruz, cuja nascente est localizada no sop do Pico do Jabre e Farinha, originado na Serra da Virao, numa encruzilhada de caminhos, onde os tropeiros faziam parada, atrados pela gua corrente e os seus animais se deliciavam com a fartura das pastagens, estava o cenrio escolhido para a implantao das primeiras fazendas de gado. Com a unio desses cursos de gua natural veio a formao do terceiro rio, o qual fora denominado pelos ndios de Pinharas e traduzido para a lngua dos brancos como Espinharas, levando-se em considerao os inmeros arbustos espinhentos que existiam no local, a exemplo de xique-xique, unha de gato, coroa de frade, urtiga e faveleira. Bem ao lado encontrava-se uma lagoa onde muitos patos fizeram o seu habitat natural, aves que seriam fonte de inspirao para a denominao do lugarejo.

Joo Pereira de Oliveira foi o primeiro a se fixar com fazendas de gado em solo das Espinharas. Ele recebera uma doao do pai, Antnio de Oliveira Ledo, cuja terra, na localidade Farinha, foi demarcada em 1670 e confirmada pelo ento Governador do Brasil, Alexandre de Sousa Freire.

Jos Permnio Wanderley, citou em seu livro "Retalhos do Serto" que Joo Pereira de Oliveira, vendeu a referida propriedade ao Coronel Domingos Dias Antunes que mais tarde adquiriu tambm do seu contemporneo, o Sargento-mor Jos Gomes Farias, a fazenda Itatiunga, que em tupi guarani significa "Pedra Branca", a qual fazia limite com a primeira. Por morte do coronel, as vastas terras foram inventariadas com os filhos: Mariana e Antnio, sendo que esse ltimo vendeu sua herana ao Capito Paulo Mendes de Figueiredo, que na referida poca j residia na Fazenda Patos.

A posio geogrfica privilegiada, situada bem no centro do nosso Estado, fez com que a povoao dos Patos (como era mais conhecida), sempre fosse alcanada por quantos cruzassem o territrio paraibano de norte a sul, de leste a oeste, o que acabou gerando um progresso rpido, admitido pelos viajantes da poca, chegando a despertar nas autoridades a necessidade de criao de um novo municpio, tendo por sede a alvissareira localidade.

Na sesso de 05 de maro de 1830, o Conselho do Governo da Provncia da Paraba decidiu pelo encaminhamento ao Ministro e Secretrio de Estado dos Negcios do Imprio, o Marqus de Caravelas, do pedido de criao de trs novas Vilas e Cmaras: Bananeiras, Amlia do Pianc e Imperial dos Patos, a primeira desmembrada de Areia e as duas outras de Pombal. O documento que foi enviado em 26 de maro do mesmo ano era finalizado com o seguinte trecho: A oficializao das trs Vilas redundar em benefcio tanto dos "fiis sditos habitantes dos respectivos lugares", como "em aumento da populao e esplendor do Imprio". Em 09 de maio de 1833, durante sesso extraordinria do Conselho da Provncia, foi aprovado o projeto de elevao da Vila dos Patos, cuja instalao se deu em 22 de agosto, aps 66 anos de subordinao a Pombal. A partir de ento o municpio passou a existir, assinalando a emancipao poltica, com sua Cmara de Vereadores, composta de 07 membros, consoante determinava a Lei de primeiro de outubro de 1828, cabendo a ela a administrao econmica e municipal. A primeira composio teve os seguintes vereadores: Jos Dantas Correia de Gis, Jernimo Jos da Nbrega, Jos Raimundo Vieira, Bernardo Carvalho de Andrade, Joo Machado da Costa, Francisco Gomes Angelim e Manoel Cardoso de Andrade.

Vale registrar que tanto as vilas como as cidades possuam autonomia de municpio e eram governadas pela Cmara, nas vilas compostas de sete membros e nas cidades de nove, constituindo a nica diferena entre ambas. A escolha dos vereadores se daria atravs do processo eletivo e o mais votado seria o presidente. Cada Cmara teria um secretrio. A mesma lei disciplinava, inclusive, o modelo de juramento na posse que deveria ser vazado nos seguintes termos: "Juro aos Santos Evangelhos desempenhar as aes de vereador e promover, quanto em mim couber, os meios de sustentar a felicidade pblica".

Com relao atribuio das Cmaras, dizia a Lei que estas eram corporaes meramente administrativas e no exercia jurisdio contenciosa alguma. Teriam a seu cargo tudo que dissesse respeito polcia e economia das povoaes e seus termos. Para administrar os municpios elas dispunham de empregados, dentre os quais se destacava o secretrio, a quem cabia a escriturao de todo o expediente; emitir certides que lhe fossem requeridas; ter em boa guarda e arranjo os seus livros. No havia Prefeito, mas existia na estrutura das Cmaras a figura do Procurador, que era um empregado, nomeado por quatro anos, ao qual competia exercer atribuies de natureza executiva, tais como, arrecadar e aplicar as rendas e multas, destinadas s despesas do Conselho; demandar perante os Juzes de Paz a execuo das posturas; defender os direitos das Cmaras perante os juzes ordinrios; dar conta das receitas e despesas todos os trimestres no princpio das quatro sesses anuais. Vale salientar que a figura do prefeito, como executivo municipal, existiu em algumas provncias, isoladamente, e somente em fins do sculo XIX foi institudo tal cargo para todos os municpios do Brasil, quer nas cidades, quer nas vilas.

No mesmo ano da emancipao, tivemos a instalao da Agncia dos Correios, sendo que o primeiro telegrafista foi Jos Alfredo dos Santos, mais tarde substitudo por Antnio Bezerra de Melo (pai do deputado Jos Joffily), enquanto que a terceira indicao para o referido cargo recaiu sobre o nome de Fenelon Bonavides. O primeiro Juiz da Comarca de Patos foi o Bacharel Francisco Claudino de Arajo Guarita.

Em 30 de maio de 1839, por volta de 07:30 da manh, a Imperial Vila dos Patos recebeu a visita pastoral capitaneada por Dom Joo da Purificao Marqus Perdigo, Bispo de Pernambuco, a quem se subordinava a Diocese da Paraba, para uma permanncia de 07 dias, perodo em que crismou mais de 1.300 pessoas, realizou vrias celebraes eucarsticas e matrimoniais, levando a efeito uma ampla campanha contra o amancebo bastante comum na poca. A respeito deste acontecimento h um curioso registro no dirio de viagem, escrito pelo referido pastor, transcrito por Celso Mariz, em seu Livro Ibiapina, o apstolo do Nordeste: ?Nesse dia e no dia de ontem, sofri grande amargura por causa do depravado procedimento do vigrio, quando publicamente concubinado dentro de sua casa com alguns filhos. Existem motivos pelos quais apenas pude conseguir que este vigrio depositasse a mulher e os filhos em outra casa, ainda mesmo dentro da vila, o que neste dia se efetuou, depois de anoitecer dadas por mim s providncias para nunca mais entrar aquela mulher em casa do vigrio, que prometeu arranj-la fora da vila. Deixei esse negcio recomendado ao Padre Antnio Dantas e seu irmo, sub-procurador da mesma vila, para me avisarem da correo do vigrio ou em caso contrrio. Depois, mandou-me este vigrio quatro queijos, farinha, chourios, duas mantas de carne e apenas recebi uma pequena parte, rejeitando o resto?.

Em 1845, a Cmara Municipal de Patos, aprovou o seguinte artigo: ?Todo dono de casa habitada nas terras de agricultura apresentar anualmente, no ms de setembro, 100 bicos de pssaros daninhos tendo escravos e 50 no os tendo, e nas terras de criar os donos de escravos apresentaro 50 e os que no possurem escravos 25, sendo isentas as pessoas que a autoridade competente julgar impossibilitadas. O infrator pagar dois mil ris de multa?. Naquela poca, de acordo com o censo realizado, tirado das relaes que as juntas qualificadoras enviaram Presidncia da Provncia, a populao paroquial de Patos era de 1.524 fogos e 15 eleitores. Em 1851 a estatstica chegava a 4.406 habitantes livres e 660 escravos.

Em 1853, fundada na Parquia de Nossa Senhora da Guia a Irmandade de Nossa Senhora do Rosrio e passa a ocupar o lugar de vigrio da freguesia, o Padre Manoel Cordeiro da Cruz. Em 24 de fevereiro de 1855 Patos j tinha agregadas a sua igreja principal as capelas de Santa Luzia, Santa Maria Madalena, Nossa Senhora da Conceio do Estreito e Nossa Senhora da Conceio de Passagem. Os limites da Vila eram os seguintes: ao nascente ? So Joo, poente ?Pianc e Pombal, ao Sul ? Ingazeira (Provncia de Pernambuco), ao norte ? Vila de Caic no Rio Grande do Norte. Com relao a sua composio, Patos contava com os Distritos da Vila e de Santa Luzia que se destacavam pela criao de gado, cavalos, ovelhas e cabras, alm do de Teixeira que produzia milho, arroz, feijo, mandioca e algodo. No tocante aos acessos, possua trs estradas principais: Ladeira da Ona e Canudos, ligando-a aos lugares vizinhos e a Pedra D?gua, utilizada para chegar Capital e Provncia de Pernambuco.

Um fato que causou tristeza, luto e preocupaes no decorrer do sculo XIX, foi o surto de clera, iniciado no ano de 1856, que dizimou muitas vidas na regio sertaneja. Somente em Patos cerca de 80 pessoas foram acometidas do mal, com o registro de 13 mortes. Na poca o Governo da Provncia mandou construir um Cemitrio na localidade.

Em 1860, precisamente no dia 08 de outubro, s 07:15 da manh, a Vila de Patos recebeu a primeira visita de um Presidente da Provncia, Luiz Antnio da Silva Nunes, que deliberou empreender uma excurso ao interior para melhor conhecer os seus domnios. Sobre Patos no so lisonjeiras as informaes por ele prestadas em seu relatrio. Constatou que o professor da escola de meninos no demonstrava interesse pelo ensino, sendo visvel a sua incapacidade para o magistrio; a igreja ameaava ruir, com uma grande fenda no arco do cruzeiro e o cemitrio alm de ser fechado por muros no tinha reboco. Em 1862, o Governo do Estado edificou a Cadeia Velha, cuja obra custou 2.200$000 (dois contos e duzentos mil reais), sendo seu construtor Severino Jos de Figueiredo que coincidentemente foi o seu estreante.

Os registros da histria poltico-administrativa de Patos so insuficientes no tocante ao perodo compreendido entre 1848 e 1890, uma vez que no primeiro ano citado sabe-se apenas que aconteceu, no dia 07 de setembro, a eleio para a escolha da nova cmara sem a relao dos seus titulares. J em 1856 encontramos citaes sobre a vitria em 12 de outubro dos seguintes vereadores: Jovino Machado da Costa, Liberato Cavalcante de Carvalho Nbrega, Victor de Sousa Cavalcante, Jernimo Jos da Nbrega Jnior, Antnio Alves de Albuquerque, Manuel Vieira da Silva e Joo Machado da Costa.

Ao longo da Legislatura iniciada em 1868, nove nomes de edis so apontados, deixando a possibilidade de dois suplentes terem assumido em conseqncia do falecimento ou afastamento de titulares por motivo de ordem superior: Jos Claudino da Nbrega, Jernimo Jos da Nbrega, Joo Vieira Arcoverde, Jos Ferreira da Nbrega, Aurlio da Costa Vilar, Honrio Nbrega Machado, Jos Csar de Mello Jnior, Jorge Mendes Figueiredo e Francisco Pedro de Alcntara. Esse mesmo grupo acabou por assumir a legislatura seguinte, em virtude da anulao do pleito realizado em 07 de setembro de 1872, pela verificao de vcios de irregularidades, sendo que o comunicado oficial sobre a substituio se deu em primeiro de agosto de 1874. Entre 1887 e 1889 so citados como integrantes do Poder Legislativo os seguintes membros: Joo Pedro Styro e Sousa, Justino Gomes dos Santos, Jos Marques da Nbrega, Leonardo Csar de Mello, Victor de Souto Cavalcante, Joo Bernardo Ferreira Rocha, Elias Ribeiro da Silva e Antnio Belarmino Tertuliano de S.

Em 04 de fevereiro de 1890 foi publicado o Decreto n 07, dissolvendo as Cmaras Municipais e determinando que o seu poder passasse a ser exercido por um Conselho de Intendncia, composto por trs membros, nomeados pelo Governador do Estado. No dia 28 do mesmo ms foi divulgada, atravs de Portaria, a relao escolhida pelo dirigente maior da Provncia da Paraba, sendo os titulares: Miguel Firmino da Nbrega, Manoel de Oliveira Machado, Josias Salatiel Vidiniano da Nbrega e na condio de suplentes: Joo Gualberto da Nbrega, Damsio de Arajo Costa e Silvino Xavier dos Santos. Em 14 de novembro do mesmo ano os dois primeiros titulares foram exonerados e substitudos por Jernimo Jos da Nbrega e Jos Venncio da Nbrega. Em 25 de fevereiro de 1891, a composio pioneira volta a ser nomeada sob a presidncia de Miguel Firmino da Nbrega.

Com a deposio do Governo Estadual, em face das mudanas patrocinadas por Floriano Peixoto, instalou-se na Paraba uma Junta Governativa, tendo frente o General Savaget, a qual decidiu dissolver a Assemblia Legislativa e anular os efeitos da Constituio de 1891. Em 14 de janeiro de 1892, so nomeados para o Conselho de Intendncia da Vila de Patos: Presidente - Vigolvino Pereira Monteiro Wanderley, Miguel Styro e Sousa e Honrio Machado da Nbrega. Em 11 de maro, por deciso do Presidente lvaro Lopes Machado, so exonerados os suplentes e nomeados, em seus lugares, Pedro Fernandes de Oliveira, Elias Ribeiro da Silva e Justino Gomes dos Santos.

O Almanach da Paraba cita que neste ano a populao estimada da Vila de Patos era de 800 almas, havia 138 prdios urbanos, incluindo trs sobrados e o edifcio em que funcionava o Conselho Municipal, alm da cadeia pblica. Tambm destacava a existncia de diversas artrias e o ptio da matriz. Fazia referncias s feiras semanais, ocorridas nas segundas, como sendo abundantes. Outros dados citados: h na localidade seis estabelecimentos comerciais de fazendas e miudezas, cujos proprietrios so: Filizola, Irmo & Caiaffo, Souza & Irmo, Major Jos Jernimo de Barros, Francisco Gomes dos Santos, Capito Joaquim Vieira de Melo e Francisco Vieira de Carvalho. Funcionam tambm, nove estabelecimentos de ferragens, miudezas e molhados, pertencentes a Farias & Cabral, Josu, Severino e Joo Csar de Melo, Antnio Lustosa de Oliveira Cabral, Jos Vieira Arcoverde, Jos d?Arimatia Machado, Josias lvares da Nbrega e Simplcio de Arajo. No deixava de evidenciar a agropecuria com relao criao de gado e produo de cereais, algodo, mandioca e cana de acar, alm da existncia de dez engenhos para o fabrico de rapadura de propriedade de Capito Antnio Batista de Figueiredo, Bernardino Lima, Salustiano Xavier dos Santos, Tenente Joo Dantas de Oliveira, Manoel Rodrigues dos Santos, Raimundo Rodrigues, Tenente-Coronel Francisco Pereira Monteiro Wanderley, Capito Roldo Meira de Vasconcelos, Alferes Joo Pedro de Sousa, sem falar em um engenho a vapor utilizado tambm para o fabrico da aguardente, de propriedade do Major Antnio Pedro de Azevedo. Existiam ainda 11 bolandeiras para o descaroamento de algodo, do Capito Manoel Gomes dos Santos, Severino Csar de Melo, Capito Roldo Meira de Vasconcelos, Silvino Xavier dos Santos, Martinho Moreira, Joo Augusto de Sousa, Canuto Alves Torres, Augusto Pereira Monteiro, Capito Loureno Dantas Correia de Gis e Alferes Antnio Flix de Mendona, bem como um vapor para o mesmo fim pertencente a Major Antnio Pereira de Azevedo. Na poca existiam 124 fazendas de gado.
Tomando por base a Bacia do Paraba, no que se refere aos seus antigos habitantes, os registros da histria apontam os ndios Cariris como pioneiros na explorao, com fixao predominante na regio da Borborema, alm dos aglomerados situados nas margens dos rios do Peixe e Jaguaribe.

Com a chegada da Nao Potiguara, proveniente do sul do Brasil, que se localizou no litoral paraibano, passou a existir a luta pelo domnio territorial, obrigando a retirada da primeira tribo, com destino ao interior. Nessa fuga da taba original ocorreu uma desagregao, com a formao de novos grupos, proclamados como independentes, dentre os quais Pegas e Panatis que se situaram na regio das Espinharas.

No sculo XVII, comearia o embate entre ndios e brancos, poca em que a famlia Oliveira Ledo, vinda da clebre Casa da Torre, nas margens do So Francisco, chegava ao Serto depois de atuar no Cariri, com o objetivo de conquistar a propriedade das terras, para efeito de colonizao. As duas organizaes indgenas aqui situadas, somadas aos Coremas que fixaram moradia no Vale do Pianc, reagiram contra os desbravadores, numa luta das mais aguerridas, at a consolidao da soberania dos brancos, que finalmente puderam plantar a semente da civilizao futura.

No encontro dos rios: Cruz, cuja nascente est localizada no sop do Pico do Jabre e Farinha, originado na Serra da Virao, numa encruzilhada de caminhos, onde os tropeiros faziam parada, atrados pela gua corrente e os seus animais se deliciavam com a fartura das pastagens, estava o cenrio escolhido para a implantao das primeiras fazendas de gado. Com a unio desses cursos de gua natural veio a formao do terceiro rio, o qual fora denominado pelos ndios de Pinharas e traduzido para a lngua dos brancos como Espinharas, levando-se em considerao os inmeros arbustos espinhentos que existiam no local, a exemplo de xique-xique, unha de gato, coroa de frade, urtiga e faveleira. Bem ao lado encontrava-se uma lagoa onde muitos patos fizeram o seu habitat natural, aves que seriam fonte de inspirao para a denominao do lugarejo.

Joo Pereira de Oliveira foi o primeiro a se fixar com fazendas de gado em solo das Espinharas. Ele recebera uma doao do pai, Antnio de Oliveira Ledo, cuja terra, na localidade Farinha, foi demarcada em 1670 e confirmada pelo ento Governador do Brasil, Alexandre de Sousa Freire.

Jos Permnio Wanderley, citou em seu livro "Retalhos do Serto" que Joo Pereira de Oliveira, vendeu a referida propriedade ao Coronel Domingos Dias Antunes que mais tarde adquiriu tambm do seu contemporneo, o Sargento-mor Jos Gomes Farias, a fazenda Itatiunga, que em tupi guarani significa "Pedra Branca", a qual fazia limite com a primeira. Por morte do coronel, as vastas terras foram inventariadas com os filhos: Mariana e Antnio, sendo que esse ltimo vendeu sua herana ao Capito Paulo Mendes de Figueiredo, que na referida poca j residia na Fazenda Patos.

A posio geogrfica privilegiada, situada bem no centro do nosso Estado, fez com que a povoao dos Patos (como era mais conhecida), sempre fosse alcanada por quantos cruzassem o territrio paraibano de norte a sul, de leste a oeste, o que acabou gerando um progresso rpido, admitido pelos viajantes da poca, chegando a despertar nas autoridades a necessidade de criao de um novo municpio, tendo por sede a alvissareira localidade.

Na sesso de 05 de maro de 1830, o Conselho do Governo da Provncia da Paraba decidiu pelo encaminhamento ao Ministro e Secretrio de Estado dos Negcios do Imprio, o Marqus de Caravelas, do pedido de criao de trs novas Vilas e Cmaras: Bananeiras, Amlia do Pianc e Imperial dos Patos, a primeira desmembrada de Areia e as duas outras de Pombal. O documento que foi enviado em 26 de maro do mesmo ano era finalizado com o seguinte trecho: A oficializao das trs Vilas redundar em benefcio tanto dos "fiis sditos habitantes dos respectivos lugares", como "em aumento da populao e esplendor do Imprio". Em 09 de maio de 1833, durante sesso extraordinria do Conselho da Provncia, foi aprovado o projeto de elevao da Vila dos Patos, cuja instalao se deu em 22 de agosto, aps 66 anos de subordinao a Pombal. A partir de ento o municpio passou a existir, assinalando a emancipao poltica, com sua Cmara de Vereadores, composta de 07 membros, consoante determinava a Lei de primeiro de outubro de 1828, cabendo a ela a administrao econmica e municipal. A primeira composio teve os seguintes vereadores: Jos Dantas Correia de Gis, Jernimo Jos da Nbrega, Jos Raimundo Vieira, Bernardo Carvalho de Andrade, Joo Machado da Costa, Francisco Gomes Angelim e Manoel Cardoso de Andrade.

Vale registrar que tanto as vilas como as cidades possuam autonomia de municpio e eram governadas pela Cmara, nas vilas compostas de sete membros e nas cidades de nove, constituindo a nica diferena entre ambas. A escolha dos vereadores se daria atravs do processo eletivo e o mais votado seria o presidente. Cada Cmara teria um secretrio. A mesma lei disciplinava, inclusive, o modelo de juramento na posse que deveria ser vazado nos seguintes termos: "Juro aos Santos Evangelhos desempenhar as aes de vereador e promover, quanto em mim couber, os meios de sustentar a felicidade pblica".

Com relao atribuio das Cmaras, dizia a Lei que estas eram corporaes meramente administrativas e no exercia jurisdio contenciosa alguma. Teriam a seu cargo tudo que dissesse respeito polcia e economia das povoaes e seus termos. Para administrar os municpios elas dispunham de empregados, dentre os quais se destacava o secretrio, a quem cabia a escriturao de todo o expediente; emitir certides que lhe fossem requeridas; ter em boa guarda e arranjo os seus livros. No havia Prefeito, mas existia na estrutura das Cmaras a figura do Procurador, que era um empregado, nomeado por quatro anos, ao qual competia exercer atribuies de natureza executiva, tais como, arrecadar e aplicar as rendas e multas, destinadas s despesas do Conselho; demandar perante os Juzes de Paz a execuo das posturas; defender os direitos das Cmaras perante os juzes ordinrios; dar conta das receitas e despesas todos os trimestres no princpio das quatro sesses anuais. Vale salientar que a figura do prefeito, como executivo municipal, existiu em algumas provncias, isoladamente, e somente em fins do sculo XIX foi institudo tal cargo para todos os municpios do Brasil, quer nas cidades, quer nas vilas.

No mesmo ano da emancipao, tivemos a instalao da Agncia dos Correios, sendo que o primeiro telegrafista foi Jos Alfredo dos Santos, mais tarde substitudo por Antnio Bezerra de Melo (pai do deputado Jos Joffily), enquanto que a terceira indicao para o referido cargo recaiu sobre o nome de Fenelon Bonavides. O primeiro Juiz da Comarca de Patos foi o Bacharel Francisco Claudino de Arajo Guarita.

Em 30 de maio de 1839, por volta de 07:30 da manh, a Imperial Vila dos Patos recebeu a visita pastoral capitaneada por Dom Joo da Purificao Marqus Perdigo, Bispo de Pernambuco, a quem se subordinava a Diocese da Paraba, para uma permanncia de 07 dias, perodo em que crismou mais de 1.300 pessoas, realizou vrias celebraes eucarsticas e matrimoniais, levando a efeito uma ampla campanha contra o amancebo bastante comum na poca. A respeito deste acontecimento h um curioso registro no dirio de viagem, escrito pelo referido pastor, transcrito por Celso Mariz, em seu Livro Ibiapina, o apstolo do Nordeste: ?Nesse dia e no dia de ontem, sofri grande amargura por causa do depravado procedimento do vigrio, quando publicamente concubinado dentro de sua casa com alguns filhos. Existem motivos pelos quais apenas pude conseguir que este vigrio depositasse a mulher e os filhos em outra casa, ainda mesmo dentro da vila, o que neste dia se efetuou, depois de anoitecer dadas por mim s providncias para nunca mais entrar aquela mulher em casa do vigrio, que prometeu arranj-la fora da vila. Deixei esse negcio recomendado ao Padre Antnio Dantas e seu irmo, sub-procurador da mesma vila, para me avisarem da correo do vigrio ou em caso contrrio. Depois, mandou-me este vigrio quatro queijos, farinha, chourios, duas mantas de carne e apenas recebi uma pequena parte, rejeitando o resto?.

Em 1845, a Cmara Municipal de Patos, aprovou o seguinte artigo: ?Todo dono de casa habitada nas terras de agricultura apresentar anualmente, no ms de setembro, 100 bicos de pssaros daninhos tendo escravos e 50 no os tendo, e nas terras de criar os donos de escravos apresentaro 50 e os que no possurem escravos 25, sendo isentas as pessoas que a autoridade competente julgar impossibilitadas. O infrator pagar dois mil ris de multa?. Naquela poca, de acordo com o censo realizado, tirado das relaes que as juntas qualificadoras enviaram Presidncia da Provncia, a populao paroquial de Patos era de 1.524 fogos e 15 eleitores. Em 1851 a estatstica chegava a 4.406 habitantes livres e 660 escravos.

Em 1853, fundada na Parquia de Nossa Senhora da Guia a Irmandade de Nossa Senhora do Rosrio e passa a ocupar o lugar de vigrio da freguesia, o Padre Manoel Cordeiro da Cruz. Em 24 de fevereiro de 1855 Patos j tinha agregadas a sua igreja principal as capelas de Santa Luzia, Santa Maria Madalena, Nossa Senhora da Conceio do Estreito e Nossa Senhora da Conceio de Passagem. Os limites da Vila eram os seguintes: ao nascente ? So Joo, poente ?Pianc e Pombal, ao Sul ? Ingazeira (Provncia de Pernambuco), ao norte ? Vila de Caic no Rio Grande do Norte. Com relao a sua composio, Patos contava com os Distritos da Vila e de Santa Luzia que se destacavam pela criao de gado, cavalos, ovelhas e cabras, alm do de Teixeira que produzia milho, arroz, feijo, mandioca e algodo. No tocante aos acessos, possua trs estradas principais: Ladeira da Ona e Canudos, ligando-a aos lugares vizinhos e a Pedra D?gua, utilizada para chegar Capital e Provncia de Pernambuco.

Um fato que causou tristeza, luto e preocupaes no decorrer do sculo XIX, foi o surto de clera, iniciado no ano de 1856, que dizimou muitas vidas na regio sertaneja. Somente em Patos cerca de 80 pessoas foram acometidas do mal, com o registro de 13 mortes. Na poca o Governo da Provncia mandou construir um Cemitrio na localidade.

Em 1860, precisamente no dia 08 de outubro, s 07:15 da manh, a Vila de Patos recebeu a primeira visita de um Presidente da Provncia, Luiz Antnio da Silva Nunes, que deliberou empreender uma excurso ao interior para melhor conhecer os seus domnios. Sobre Patos no so lisonjeiras as informaes por ele prestadas em seu relatrio. Constatou que o professor da escola de meninos no demonstrava interesse pelo ensino, sendo visvel a sua incapacidade para o magistrio; a igreja ameaava ruir, com uma grande fenda no arco do cruzeiro e o cemitrio alm de ser fechado por muros no tinha reboco. Em 1862, o Governo do Estado edificou a Cadeia Velha, cuja obra custou 2.200$000 (dois contos e duzentos mil reais), sendo seu construtor Severino Jos de Figueiredo que coincidentemente foi o seu estreante.

Os registros da histria poltico-administrativa de Patos so insuficientes no tocante ao perodo compreendido entre 1848 e 1890, uma vez que no primeiro ano citado sabe-se apenas que aconteceu, no dia 07 de setembro, a eleio para a escolha da nova cmara sem a relao dos seus titulares. J em 1856 encontramos citaes sobre a vitria em 12 de outubro dos seguintes vereadores: Jovino Machado da Costa, Liberato Cavalcante de Carvalho Nbrega, Victor de Sousa Cavalcante, Jernimo Jos da Nbrega Jnior, Antnio Alves de Albuquerque, Manuel Vieira da Silva e Joo Machado da Costa.

Ao longo da Legislatura iniciada em 1868, nove nomes de edis so apontados, deixando a possibilidade de dois suplentes terem assumido em conseqncia do falecimento ou afastamento de titulares por motivo de ordem superior: Jos Claudino da Nbrega, Jernimo Jos da Nbrega, Joo Vieira Arcoverde, Jos Ferreira da Nbrega, Aurlio da Costa Vilar, Honrio Nbrega Machado, Jos Csar de Mello Jnior, Jorge Mendes Figueiredo e Francisco Pedro de Alcntara. Esse mesmo grupo acabou por assumir a legislatura seguinte, em virtude da anulao do pleito realizado em 07 de setembro de 1872, pela verificao de vcios de irregularidades, sendo que o comunicado oficial sobre a substituio se deu em primeiro de agosto de 1874. Entre 1887 e 1889 so citados como integrantes do Poder Legislativo os seguintes membros: Joo Pedro Styro e Sousa, Justino Gomes dos Santos, Jos Marques da Nbrega, Leonardo Csar de Mello, Victor de Souto Cavalcante, Joo Bernardo Ferreira Rocha, Elias Ribeiro da Silva e Antnio Belarmino Tertuliano de S.

Em 04 de fevereiro de 1890 foi publicado o Decreto n 07, dissolvendo as Cmaras Municipais e determinando que o seu poder passasse a ser exercido por um Conselho de Intendncia, composto por trs membros, nomeados pelo Governador do Estado. No dia 28 do mesmo ms foi divulgada, atravs de Portaria, a relao escolhida pelo dirigente maior da Provncia da Paraba, sendo os titulares: Miguel Firmino da Nbrega, Manoel de Oliveira Machado, Josias Salatiel Vidiniano da Nbrega e na condio de suplentes: Joo Gualberto da Nbrega, Damsio de Arajo Costa e Silvino Xavier dos Santos. Em 14 de novembro do mesmo ano os dois primeiros titulares foram exonerados e substitudos por Jernimo Jos da Nbrega e Jos Venncio da Nbrega. Em 25 de fevereiro de 1891, a composio pioneira volta a ser nomeada sob a presidncia de Miguel Firmino da Nbrega.

Com a deposio do Governo Estadual, em face das mudanas patrocinadas por Floriano Peixoto, instalou-se na Paraba uma Junta Governativa, tendo frente o General Savaget, a qual decidiu dissolver a Assemblia Legislativa e anular os efeitos da Constituio de 1891. Em 14 de janeiro de 1892, so nomeados para o Conselho de Intendncia da Vila de Patos: Presidente - Vigolvino Pereira Monteiro Wanderley, Miguel Styro e Sousa e Honrio Machado da Nbrega. Em 11 de maro, por deciso do Presidente lvaro Lopes Machado, so exonerados os suplentes e nomeados, em seus lugares, Pedro Fernandes de Oliveira, Elias Ribeiro da Silva e Justino Gomes dos Santos.

O Almanach da Paraba cita que neste ano a populao estimada da Vila de Patos era de 800 almas, havia 138 prdios urbanos, incluindo trs sobrados e o edifcio em que funcionava o Conselho Municipal, alm da cadeia pblica. Tambm destacava a existncia de diversas artrias e o ptio da matriz. Fazia referncias s feiras semanais, ocorridas nas segundas, como sendo abundantes. Outros dados citados: h na localidade seis estabelecimentos comerciais de fazendas e miudezas, cujos proprietrios so: Filizola, Irmo & Caiaffo, Souza & Irmo, Major Jos Jernimo de Barros, Francisco Gomes dos Santos, Capito Joaquim Vieira de Melo e Francisco Vieira de Carvalho. Funcionam tambm, nove estabelecimentos de ferragens, miudezas e molhados, pertencentes a Farias & Cabral, Josu, Severino e Joo Csar de Melo, Antnio Lustosa de Oliveira Cabral, Jos Vieira Arcoverde, Jos d?Arimatia Machado, Josias lvares da Nbrega e Simplcio de Arajo. No deixava de evidenciar a agropecuria com relao criao de gado e produo de cereais, algodo, mandioca e cana de acar, alm da existncia de dez engenhos para o fabrico de rapadura de propriedade de Capito Antnio Batista de Figueiredo, Bernardino Lima, Salustiano Xavier dos Santos, Tenente Joo Dantas de Oliveira, Manoel Rodrigues dos Santos, Raimundo Rodrigues, Tenente-Coronel Francisco Pereira Monteiro Wanderley, Capito Roldo Meira de Vasconcelos, Alferes Joo Pedro de Sousa, sem falar em um engenho a vapor utilizado tambm para o fabrico da aguardente, de propriedade do Major Antnio Pedro de Azevedo. Existiam ainda 11 bolandeiras para o descaroamento de algodo, do Capito Manoel Gomes dos Santos, Severino Csar de Melo, Capito Roldo Meira de Vasconcelos, Silvino Xavier dos Santos, Martinho Moreira, Joo Augusto de Sousa, Canuto Alves Torres, Augusto Pereira Monteiro, Capito Loureno Dantas Correia de Gis e Alferes Antnio Flix de Mendona, bem como um vapor para o mesmo fim pertencente a Major Antnio Pereira de Azevedo. Na poca existiam 124 fazendas de gado.

Em 1898, precisamente no dia 15 de dezembro, o vigrio Joaquim Alves Machado e o procurador Capito Manoel Gomes dos Santos, mandaram lanar no livro de tombo cpia da escritura de doao e ratificao do patrimnio de Nossa Senhora da Guia, da Vila dos Patos. J no ano de 1900, em primeiro de janeiro, foi implantado sobre pedras, a oeste da Vila, um cruzeiro de madeira, o qual serviu de marco da entrada do novo sculo. A falta de preservao acabou por extingu-lo, depois do local ter sido ocupado por residncias de forma desordenada, ponto que ficaria conhecido por Beco do Cruzeiro.
Em 20 de fevereiro de 1925, o Presidente Joo Suassuna assina o Decreto 1.353, modificando a organizao da Fora Pblica do Estado, que ficar constituda de dois batalhes: o primeiro na Capital com 605 homens e o segundo com efetivo de 598 integrantes sediado em Patos.

 A primeira visita de um Presidente do Brasil cidade de Patos data de 08 de agosto de 1926. O Dr. Washington Lus Pereira de Sousa chegou ao meio dia, acompanhado de sua comitiva e do dirigente estadual, Presidente Joo Suassuna, tendo sido saudado por extensas girndolas de foguetes, com as ruas embandeiradas e repletas de gente, com recepo pela Banda do I Batalho em frente residncia dos anfitries, prefeito Jos Peregrino e sua esposa D. Maria Firmino, os quais lhe ofereceram um almoo festivo, cujo cardpio foi composto de sopa, galinha em molho pardo, peixe de escabeche, roast-beef com pur de batatas, peru carioca e em seguida a sobremesa variada de compotas e salada de frutas, alm de pudim. Tudo isso sem falar em outros agrados com vinhos, champagne, caf, licores e charutos.

Em 22 de setembro de 1940, a cidade de Patos recebeu a comisso norte-americana que iria observar o eclipse total do sol no dia primeiro de outubro, com modernos equipamentos instalados na firma Anderson Clayton & Company, provocando uma enorme curiosidade da populao. Os observadores pertenciam a National Bureau of Standards e a National Geographic Society. Integravam a expedio os cientistas: Irvine C. Gardner, Richard H. Stewart, Theodoro Gilliland, Padre Paul A. Mc Nally ? Diretor do Observatrio Astronmico de Georgetown - Estados Unidos da Amrica, Dr. Edward Hulburt e Dr. Kiees. Mais tarde, o ponto escolhido foi identificado por um marco que, infelizmente, para prejuzo da histria, no teve a sorte de ser preservado.
Em 1950, o Censo Nacional apontou como populao de Patos a existncia de 49.540 habitantes, sendo 25.001 mulheres e 24.539 homens, ocupando a dcima colocao entre os municpios da Paraba. Do total, 25.226 moradores eram de cor branca, 19.956 pardos, 4.297 pretos e 61 no declararam. 49.997 eram catlicos, 366 protestantes, 46 espritas, 06 de outras religies, 40 no declararam e 40 no tinham religio. Com relao agricultura foram apurados 1.886 propriedades, onde se concentravam 34.290 habitantes (60%). O Censo Comercial de 1950 registrou no municpio 182 estabelecimentos varejistas e 15 atacadistas, ocupando 354 pessoas. Com uma movimentao de 29 milhes de cruzeiros, o comrcio varejista de Patos j ocupava o quarto lugar do Estado, perdendo apenas para Joo Pessoa, Campina Grande e Guarabira. A populao Urbana era a terceira do Estado e o ndice de analfabetos chegava a 63,59%.

Em 1960, o Recenseamento de Patos acusou a existncia de 60.241 habitantes, sendo 29.543 homens e 30.648 mulheres. A coleta dos dados rurais assinalou 2.049 propriedades, ocupando uma rea total de 212.900 hectares, dos quais 42.086 destinados a lavouras. Neste ano existia no municpio de Patos 232 escolas primrias municipais, 21 estaduais e 08 particulares; 01 estabelecimento de comrcio; 02 unidades de ensino ginasial e uma voltada para o aprendizado pedaggico; 01 escola de curso colegial e outra profissionalizante. Os estabelecimentos comerciais grossistas somavam 12, enquanto 614 eram varejistas; 152 indstrias, com cinco ou mais empregados e 03 estabelecimentos de crdito. A cidade que j era servida pela energia eltrica proveniente de Coremas possua nos seus cadastros 5.089 ligaes. Os registros do rgo de trnsito apontavam a existncia de 121 caminhes, 38 caminhonetas; 38 jeeps, 29 automveis, 07 nibus, 14 motocicletas e lambretas e 45 veculos oficiais. Existiam 5.900 prdios; 450 telefones urbanos, 01 cinema, 02 tipografias, 02 livrarias, 11 farmcias e drogarias. Atendiam no municpio: 15 mdicos, 10 dentistas, 06 advogados, 04 engenheiros e 02 agrnomos.

Em 22 de dezembro de 1961, foram criados os municpios de Salgadinho, Santa Terezinha, Passagem, So Jos de Espinharas e Cacimba de Areia, todos desmembrados da rea territorial de Patoss. Em 1964, precisamente no dia 31 de maro, a Lei Estadual 3.156, criou o municpio de So Jos do Bonfim, com rea desmembrada do territrio de Patos.

Com uma rea total de 506,5 Km, o municpio de Patos, segundo o censo 2000, possuia uma populao de 91.403habitantes, sendo 43.313 homens e 48.090 mulheres, registrando um crescimento anual de 1,52. Sua densidade demogrfica de 180,46 (hab/ Km). Na zona urbana estavam concentradas 87.502 pessoas enquanto habitavam a zona rural 3.901. O clima quente e seco, com temperatura mxima de 38C e mnima de 28C. Limites: So Jos de Espinharas, Santa Terezinha, So Jos do Bonfim, Cacimba de Areia, Quixaba, So Mamede e Malta. A estimativa de 02 de julho de 2004, anunciada pelo IBGE, j apontava em Patos, uma populao de 97.129 habitantes, sendo que atualmente j devemos ultrapassar os 100 mil, valendo salientar que somada a populao flutuante, os nmeros oscilam em torno de 120 mil.

Patos, nos dias atuais, um dos maiores municpios da Paraba, no apenas no aspecto da extenso e estrutura fsica, mas principalmente, pela pujana de sua gente, disposio de trabalho da iniciativa privada, com nfase ao comrcio e a indstria, responsveis pela gerao de emprego, renda e tributos, que mantm as aes de governo. Por seu aspecto de desenvolvimento no interior do Estado passou a ser conhecida como "Capital do Serto da Paraba", ao ponto em que o seu clima acabou lhe dando a titularidade de "Morada do Sol".
Fonte Patos em Revista/Damio Lucena

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