Ricardo Souza - 21 de Agosto de 2012 - (6104 j leram)

Antonio Tranca Rua, destaque do folclore Patoense

22 de Agosto: Dia do Folclore Brasileiro

Por: Damio Lucena/Patos em Revista , edio 2011.

Est contida na natureza de homens simples a maior manifestao de saber. So personagens dotados de criatividade que conseguem surpreender a cada momento, provocando a sensibilidade das pessoas no mbito da satisfao e fincando os seus nomes no rol dos inesquecveis.

Antnio Batista da Silva ou, simplesmente, Antnio Tranca Rua, nasceu aos 06 de junho de 1916, no municpio de Serra Negra do Norte. Na companhia dos pais, Izidro Batista da Silva e Maria da Conceio, veio tentar a sorte na cidade de Patos, fugindo, segundo ele, das palmatrias utilizadas por sua professora.

Viveu como analfabeto, mantido pela inteligncia que trouxe do bero e acabou se transformando em uma das principais figuras folclricas de toda a regio sertaneja. Sempre definia sua personalidade em uma frase: ?Existem formados mais burros do que eu. So aqueles que nem cavam e nem botam terra?.

A grande fama de Tranca Rua residia no raciocnio rpido, capaz de responder altura todo e qualquer questionamento, no perdendo uma s parada.

Chegou a defender as Foras Armadas, quando o Estado de So Paulo quis declarar independncia do resto do Brasil e, na condio de integrante do Exrcito, por pouco no teve que ir aos combates da II Guerra Mundial. Acrescenta, porm, que o cargo mais importante que veio a assumir, foi o de soldado da Polcia Militar do Estado da Paraba. Relembrava sempre a frase mais citada durante esse perodo, como sendo, ?esteja preso, cabra safado!?. Mais tarde abandonou a farda para trabalhar na construo de estradas e barragens.

Sua convivncia matrimonial de muitos anos, tendo como companheira Neuza Nunes, no lhe deixou saudade. Tambm afirmava que no chegou a ser ?Seu Antnio? por conta do vcio da cachaa. Bebia sem controle, comeando cedo para terminar tarde. ?Enquanto o dono da bodega no fechava o estabelecimento eu estava em frente ao balco, tomando umas e outras?, acrescentava.

F nmero 1 dos repentistas: Pinto do Monteiro e Irmos Batista, o nome em destaque sempre primou pela etiqueta, tendo como preferncia as roupas brancas em puro linho, confeccionadas pelo alfaiate Chiru. Era tambm apaixonado pela rua do Prado.

O Ttulo de Cidado Patoense lhe foi outorgado pela Cmara Municipal, atravs de Ante-Projeto que teve a autoria do Vereador Cludio de Sousa Barreto, cuja lei foi sancionada pelo ento prefeito Dinaldo Medeiros Wanderley.

Com o avanar da idade e sem a existncia de parentes prximos, Antnio Tranca Rua passou a residir no abrigo dos velhos, localizado no bairro de So Sebastio, onde permaneceu por quase quatro anos, acometido de alguns males que aos poucos foram lhe tirando o prazer de viver. Na referida poca, resumia o seu drama em confronto com o espao ocupado na seguinte declarao: ? fora eu tomo at crist de pimenta. Este lugar igual feira de Caruaru, pois quando no doido, cego ou aleijado?.

Era forte na concepo prpria de afirmar que no existiam amigos terrenos, j que para ele as pessoas eram, no mximo, bons conhecidos. Com relao figura que mais admirava em Patos, Tranca Rua sempre citava o Monsenhor Lus Lares da Nbrega e como exemplo maior de seriedade o ex-deputado Jos Afonso Gayoso.

Antnio Tranca Rua viveu seus ltimos dias na cidade de Catingueira, amparado pelo ento prefeito Do de Candu e morreu em 22 de julho de 2002 aos 86 anos de idade. Seu sepultamento aconteceu na terra do Poeta Incio. Deixou uma lembrana viva em meio aos sertanejos que acabaram por perpetu-lo na histria dos bons tempos.

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O MaisPatos.com estar postando durante os fins de semana ?Fatos e Fotos? que resgatam a histria e a cultura do povo patoense.

MaisPatos.com/Patos em Revista

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