Luanja Dantas - 21 de Julho de 2012 - (3542 j leram)

Patos e a revoluo de 1912

Patos e a revoluo de 1912 Por: Damio Lucena/Patos em Revista , edio 2011.

Com relao a esse movimento existem discordncias entre historiadores sobre os verdadeiros heris e bandidos. Sabe-se que o Presidente Hermes da Fonseca insuflava as ?derrubadas? e Pernambuco como o Cear, havia cado ou estavam prestes a isso. O Coronel Rego Barros foi a Tapero prometendo apoio macio do Exrcito e se forma o complot com Augusto Santa Cruz e Franklin Dantas no centro, a famlia de Valdivino Lobo no Oeste e Cunha Lima no Brejo. Os ltimos falharam cientes, talvez, de que Epitcio Pessoa havia conseguido do mandatrio maior a desautorizao do militar.

Em 24 de maio de 1912, a cidade de Patos foi invadida, s 02:00 horas da tarde, por um bando indisciplinado de 496 cabras armados, a servio de Franklin Dantas e Augusto Santa Cruz, adeptos da candidatura do Coronel Rego Barros ao Governo do Estado. De todos os atos praticados pelos revolucionrios paraibanos esse foi o mais grave, uma vez que alm de atacar o comrcio os invasores roubaram dinheiro e jias. Lojas foram saqueadas, os instrumentos da banda destrudos, os fios do telgrafo cortados. Apenas 16 soldados, comandados pelo Alferes Ramalho, se encontravam no local, os quais fugiram amedrontados com o contingente de malfeitores, fortemente armados.

A nica reao esboada contra os revoltosos ocorreu na torre da Igreja da Conceio, sustentada por Ded Csar, Herclito Porto, Jos Alcides Ribeiro, Chico Pintor e Manoel Tau. Saram tiros, ainda, da casa do Coronel Miguel Styro, dados pelo cabo Jos Batista, Alexandre Enas e o sargento Quininho.

Os saques, os roubos e as depredaes ficaram a cargo do Negro Vicente, Jlio Salgado e outros. Um dos mais prejudicados no episdio foi o comerciante Jos Jernimo de Barros Ribeiro. Algumas residncias foram obrigadas a abrigar muitos dos revolucionrios e ao deixar a cidade, em 12 de junho, os cabras deram banho em seus cavalos com perfumes importados roubados das prateleiras dos estabelecimentos comerciais.

Esse movimento provocou vrias discordncias entre dois historiadores: Nelson Lustosa Cabral que taxou os seus integrantes de criminosos no livro ?Paisagens Sertanejas?, e Jos Permnio na publicao ?Retalhos do Serto?, que atravs de crtica contundente, inverteu os escritos do conterrneo, atribuindo assassinatos e destruies a acerto de contas em fatos paralelos: ?Era recente o crime de morte praticado por Meirinha, neto de Roldo Meira e Jos Jernimo de Barros Ribeiro, contra Jos Paulo, membro da famlia Montenegro. Os irmos da vtima, inconformados com o crime sem punio, vinham no grupo e arrombaram a casa comercial do av do assassino que no foi executado inapelavelmente por no estar presente. J a casa de molhados, pertencente a Josias lvares da Nbrega, foi danificada pelo seu inimigo, Joaquim Monteiro. Quanto ao estabelecimento de massas alimentcias do seu saudoso pai, de nada me lembro; possvel tenha razo o ilustre escritor, mesmo porque, no era brincadeira arranjar rao para quatrocentos homens, e as bolachas do Major Xixi eram to gostosas...?.

No intensivo tiroteio o velho Francisco Caetano amarrou um pano branco na haste do seu guarda-sol, aberto em frente s balas, com a calma e tranqilidade que sempre lhe fora peculiar. Desceu a Praa da Igreja Velha e foi ao encontro do Dr.Franklin Dantas, seu amigo, que se encontrava prximo ao rio Espinharas e intercedeu pela cidade e os rapazes cercados na torre, ainda resistindo, sendo atendido com a ordem de cessar fogo e reconhecido como o grande heri da luta.

Dizendo-se admirado com o comportamento ordeiro dos mais de 400 homens, sem nenhuma disciplina militar ou qualquer preparo blico, intitulando-os de revolucionrios ao invs de bandidos e citando entre mortos e feridos apenas um Jerico, o escritor Jos Permnio Wanderley, no conseguiu esconder sua indignao e revolta em meio ao comportamento de Nelson Lustosa Cabral, lhe dirigindo as seguintes indagaes: ?Por que o memorialista, to candente e fantasioso na exposio dos fatos atinentes revolta de 12, com sua dialtica possante, sua inteligncia privilegiada, sua memria feliz, no profligou os desmandos, as perseguies, o terror mesmo, implantados em nossa terra pelo ento capito Augusto Lima e sua volante? Por ventura no se lembrou da priso absurda do Tenente Lencio Wanderley, homem inofensivo, s caladas da noite, na fazenda de seu venerando pai, s pelo crime absurdo de ser cunhado do Dr. Franklin Dantas? E a perseguio pertinaz ao velho Miro Dantas, filho do primeiro prefeito de Patos, homeopata caridoso e manso, culminando com o suplcio incrvel de um agregado impelido a comer cigarros de fumo bruto, tudo pelo nefando crime de ser Mira membro da famlia Dantas? E as surras dirias por qualquer bagatela? E o assassinato frio, desumano, dentro da cidade, do mestre Felinto? E a priso e sevcias de Francisco Queiroz??

Para saber mais sobre a histria de Patos adquira a II edio de Patos em Revista. Na publicao da 2 Edio, ?Patos em revista? vem com 260 pginas, informaes e estatsticas sobre todos os setores da Capital do Serto da Paraba, ilustrada com mais de 1.200 fotos, fazendo uma viagem desde o incio do sculo XVII at os dias atuais.

Adquira a revista na Banca Cultura, Banca Catedral e Distribuidora Nbrega em Patos.

O MaisPatos.com estar postando durante os fins de semana ?Fatos e Fotos? que resgatam a histria e a cultura do povo patoense.

MaisPatos.com/Patos em Revista

Publicidade