Jornal da Paraba - 2 de Agosto de 2017 - (980 j leram)

Maioria dos deputados paraibanos votou para salvar a pele de Temer

Não houve surpresa e também não faria diferença no placar final. A maioria dos deputados federais paraibanos votou pela não admissibilidade do processo contra o presidente Michel Temer (PMDB). O placar, se forem considerados apenas os paraibanos, seria de seis votos pró e cinco contra o gestor, além de uma ausência. O presidente é acusado de prática de corrupção passiva pelo Ministério Público Federal (MPF). O gestor é apontado pela Procuradoria-Geral da República como destinatário da maleta com os R$ 500 mil recebidos pelo ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) da JBS. Temer também foi gravado em conversa com o empresário Joesley Batista, quando se falou sobre a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e do doleiro Lúcio Funaro.

Durante a sessão, o voto ‘sim’ era pela concordância com o relatório aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O ‘não’ seria pelo seguimento da denúncia. O voto decisivo para salvar a pele de Temer, o de número 171, foi da deputada Rosângela Gomes (PRB-RJ). Quando o primeiro parlamentar paraibano foi chamado a votar, o placar já dava larga vantagem à não admissibilidade da denúncia. Votaram a favor do relatório do deputado mineiro Paulo Abi-Ackel (PSDB), os peemedebistas André Amaral e Hugo Motta, além do líder do governo na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro (PP); do líder do DEM na Casa, Efraim Filho, e dos deputados Benjamin Maranhão (SD) e Rômulo Gouveia (PSD).

No sentido contrário, entre os paraibanos, estavam os deputados Luiz Couto (PT), Pedro Cunha Lima (PSDB), Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), Wellington Roberto, e Damião Feliciano (PDT). O pedetista, vale ressaltar, deu a entender no seu discurso que votava contra o relatório de Abi-Ackel e, portanto, contra Temer, simplesmente por conta da orientação partidária. Outro que surpreendeu foi o deputado Wellington Roberto (PR). O parlamentar contrariou a orientação do seu partido e ainda se disse contra a reforma da previdência, proposta por Temer. O único ausente na sessão foi o deputado Wilson Filho (PTB). O parlamentar não justificou a ausência durante a votação. No caso do petebista, a ausência dele é contabilizada como apoio ao presidente.

A votação acabou perto das 22h, com a proclamação do resultado. Do sistema de som, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM), anunciou os 263 votos pelo sim, 227 votos pelo não, além de 2 abstenções. Pelo menos 19 parlamentares faltaram à sessão. O resultado somado é de 511 votos, dois a menos que o total de parlamentares da Câmara. Com a decisão, não será dada autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra o processo criminal contra o presidente. Temer foi o primeiro gestor na história do país a ser alvo de uma ação criminal durante o mandato.

Sem família no discurso

Ao contrário da votação pela admissibilidade do impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a família foi retirada dos discursos desta vez. Até mesmo a deputada mineira Raquel Muniz (PSD) mudou de discurso. Apesar do “sim, sim, sim” para salvar Temer, ela não fez mais referência à honestidade do marido, ex-prefeito de Montes Claros (MG). Em 2016, na semana seguinte após o voto conta Dilma e um discurso severo contra a corrupção, o marido dela foi preso pela Polícia Federal sob acusação de improbidade. O tom usado majoritariamente nesta quarta para justificar o voto pela não admissibilidade do processo foi o de que o presidente poderá responder à Justiça após o fim do mandato, em 1° de janeiro de 2019.

 

Veja como votaram os paraibanos:

Contra a admissibilidade da denúncia

André Amaral (PMDB)
Hugo Motta (PMDB)
Aguinaldo Ribeiro (PP)
Efraim Filho (DEM)
Benjamin Maranhão (SD)
Rômulo Gouveia (PSD)

A favor da admissibilidade da denúncia

Luiz Couto (PT)
Pedro Cunha Lima (PSDB)
Veneziano Vitaldo Rêgo (PMDB)
Damião Feliciano (PDT)
Wellington Roberto (PR)

Não compareceu à votação

Wilson Filho (PTB)

 

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