...É de lua!

.Vez em quando aparece com um perfuminho de malva cheirosa por entre as linhas de uma poesia melhoradeira.
Peleja com a natureza e descobre cada verdade.
Cada alumião de boniteza!
Eu digo que é uma claridade indecifrável.
Um ser alado.
Um enigma. 
Um objeto de estudo.
Uma omissão possuída de mistério.
Escuta-me sem interesse. Não dar confiança nem afronta. Só ri.
Responde mensagem com carinhas piscando ou mandando beijos.
Tem aptidão pra várias artes.
Trança madeira cor de murta nas chinelinhas amarelas, evocando a delicadeza de Van Gogh, no campo dos girassóis. 
Faz arcos de saudades lindas, com miçangas bem encomendadas e, jiraus de sete cores!
Guarda no baú floreado incontáveis memórias, poemas e cantigas.
Senta-se no banco alto, de peroba vencida e fica horas a pensar nas auroras que gotejavam livres, nas viagens de trem e nas águas de Caxambu.
Adora torta doce com café. Lambe os beiços. Pisca os olhos com vagareza. Coça o nariz e corta o bocejo, levando a ponta da língua para o inicio do céu da boca. 
Quase não espirra. Só gripou uma vez na vida. Não esbarra nas pernas das mesas, não leva topada, nem prende os dedos nos vãos das portas. 
Por vezes ignora solicitações e, deita na gente um olhar sintético, impronunciável, desesperador.
Nunca chora, mas sente nervosia igualmente aqueles que sofrem injustiças.
Há tempos embrulhava-se num silêncio perpétuo. De morte mesmo!
Inesperadamente no fechar da tarde de domingo, enviou-me um poeminha curto num cestinho enfeitado com rodelas de taquara e flores de fortuna.
Lindo de doer!
Pensei em pedir permissão e, fazer postagem, mas ponderei.
Melhor deixar como está. 
O jeito é respeitar a oculteza lírica.
Esquecer a graça que amadurece as ternuras. 
Apanhar a doçura das pitangas em outras safras.
Seja o que Deus quiser.
Criatura diversa é essa!
Imita Cecília Meireles e outros poetas céleres. Escreve sobre o delírio do verbo que está no começo. Depois pega a escutar a cor dos passarinhos por entre galhos e gramofone de sua preferência.
É de excelência, mas também é de azaléia, de flauta, de rio, de pedra, de aldeia, vilarejos, desertos, metrópoles e jardins. 
É de gentileza, de sisudez e de querer bem.
“... É de lua. É de todos e, não é de ninguém”.

Edward Hopper ~ American artist, 1882-1967

Publicidade

Veja também