Luanja Dantas - 12 de Julho de 2017 - (1797 j leram)

Desabafo de iniciante; Por Zenilda Lua

Chegam de supetão.
Sequer escrevem um "oi", um "bom dia", um "tudo bem?".
Um versículo bíblico, uma frase de Freud, de JUng, de Max Lucado, de Cora Coralina, ou de amor mesmo.
Na cadência das brechas, chegam.
Abandonando as fendas amativas e o bom senso lírico.
Amiudando o brilho da boa querência.
Chegam com vídeos sem nenhuma significância e arte-de-convite-pronto. 
Eventos. Eventos e mais eventos!
Contestações politicas, correntes filosóficas, religiosas e links do blog de Sakamoto.
Tudo pronto na frialdade instantânea dos miojos vencidos e de sabor cansativo.
Terapiava com uma amiga querida  no final de semana e nos veio a indagação:
Onde foi parar o essencial que a ternura recomenda?
Ficamos sem explicação.
Sábio e exemplar é Manoel de Barros que escreveu:
"A importância de uma coisa, há de ser medida pelo encantamento que a coisa produz".


O whatsap às vezes, produz afagos e alegrias, aromas de jardim e bolinhos de chuva da casa de vó. Propostas compensadoras de trabalho e de encontros. Desejos inspiradores, quebradura de sono que nos adoça e compensa.
Mas também nos acabrunha. Enche a paciência e a memória do celular arcaico.
Prefiro o alumiar pacifico da lua cheia, o alvoroço dos beija-flores saracoteando em volta das margaridinhas do mato e, cheiros certeiros no coração.
 

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