Misael Nbrega - 16 de Novembro de 2017 - (404 j leram)

SE TORNASTE PBLICO, DO PBLICO S. (por Misael Nbrega de Sousa)

"Em política, até raiva é combinada". Ulysses Guimarães 1,2,3,4,5,6... As pessoas contavam do plenário da casa de Juvenal Lúcio de Souza, o número de vereadores presentes naquela sessão. Não houve quórum suficiente para a sustentação dos trabalhos. Ao mesmo tempo em que começou, terminou. E todos voltaram para as suas casas, frustrados.

O motivo da debandada deve ter sido justo, visto que faltaram 11 dos 17 vereadores eleitos pelo povo - como seus representantes legítimos. Não foi coincidência, foi quem sabe um aviso - a quem interessar possa.

Os ausentes, propositadamente, negando a si mesmos, fizeram-se notados. Pobres daqueles que ficaram nas alcovas da Câmara, atônitos, desbaratinados, enquanto os demais celebravam o golpe, fortalecidos na aliança. Todos nós devemos ter um lado nesse jogo da política, embora a democracia esteja ai para nos dizer que ninguém deve ser venerado. Eu prefiro o lado de dentro, mesmo consciente de que não pertencemos nem a nós mesmos.

A tribuna, naquela noite, ficou emudecida. E o que é pior aceitou ser achincalhada. E, assim, indiferente, ouvirá das ruas as únicas verdades que lhe convierem. Pois, “se tornaste público, do público és”. E muitos disseram ali mesmo: - Enquanto lutamos pela chance de ser ouvidos, quem tinha voz preferiu calar.

Não se engane, há um preço para cada uma das atitudes que tomamos.

Afirma Alexis de Tocqueville que em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades. Não se trata de o autor estar certo ou errado, a máxima do pensador francês é no mínimo intrigante. E se nos faz pensar, cumpriu com o seu propósito. Para ele, o egoísmo é nocivo à democracia porque faz com que as preocupações dos indivíduos se afastem do bem comum. Acima de tudo, o autor valorizava o espírito da cidadania, a solidariedade, a participação política e a organização da sociedade civil em prol das coisas públicas.

Ao analisarmos, mesmo que de forma insipiente, o que fizeram os vereadores faltosos, dizemos que o ato foi egoísta ou altruísta? Uma das pistas que o egoísmo nos dá é que os egoístas consideram que merecem tudo. Eu estaria sendo ingênuo se não opinasse, por isso considero que o gesto deles foi uma demonstração inequívoca de poder. Já com relação a princípios... Dessa, eu me abstenho.

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