Misael Nbrega - 6 de Setembro de 2017 - (655 j leram)

7 DE SETEMBRO. Por Misael Nobrega de Sousa

Despertávamos no dia da pátria convocados para honrar as tradições e ajudar a perpetuar os costumes; um quase chamamento à batalha. Imaculados, marchávamos pela avenida-maior de nossas vidas, parecendo um exército de verdade. Meninos escanelados, pé-após-pé antevendo... orgulhosamente, arrumados nas fardas dos seus educandários. Um prazer (mais que um dever) fazer parte daquele momento, ensaiado à exaustão.

Havia ali uma cidade ansiosa pelos filhos da pátria, que desempenhando o papel para o qual foram alistados, - adentravam, enfim, o corredor infinito. A rua era toda nossa. Seguíamos, enfileirados, como soldadinhos-meninos, - obedientes e disciplinados. Familiares e curiosos, punham-se na ponta dos pés para ver a parada... - A banda-fanfarra ritmava o nosso coração e com a força da esperança golpeávamos os paralelepípedos, como que intimidando o chão. Uma moçoila de maiô brilhante, à frente da banda, era o abre-alas do nosso viver-moleque. Num outro pelotão o jovem fidalgo, imponente em seu cavalo branco - e de espada em punho, imitava os livros de história. (...).  Não há símbolo que se sustente por muito tempo sem a ilusão de um povo. E, por isso, imagino que a revolução poderia ter sido o tema de todos os enredos. 

Hoje em dia, sinto e sofro quando vejo carregarem flâmulas de ontem. O passado é contraproducente, pois ele não pertence a ninguém. O caminho a marchar deve ser o que elegermos. Mesmo sabendo que a liberdade de expressão é um ato de cidadania, o Estado somos nós. E para que essa independência seja plena temos que nos responsabilizar, a cada dia, pelo lugar onde escolhemos viver. Assim, tornar-se-á mais fácil afastar o que é real da fantasia. A provocação é o que importa, até que deixemos sucumbir a máscara da ignorância. 

Espero que as escolas e outras instituições compreendam o 7 de setembro como um berro de independência... – Que passa, necessariamente, pela retirada de seus grilhões interiores. Não digo que sejam dispensáveis as delongas sobre o patriotismo e seus valores cívicos, mesmo que todos conheçam as sagrações que envolvem a data alusiva. (Nem é essa publicidade alienadora o que me incomoda). Não digo! Mas, em respeito àqueles meninos que sonhavam com estrelas porquanto dormiam; e nunca contavam estrelas por cupidez... -

Apenas, em respeito a eles, não digo.

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