Misael Nbrega - 8 de Novembro de 2016 - (1306 j leram)

JATOB. Por Misael Nbrega

O bairro do Jatobá em Patos, Paraíba, é separado do restante do mundo  pela "ponte do Figueiredo". Uma comunidade briosa em sua lida diária, mesmo que a simplicidade acabe sendo um predicado por demais sensato, quando da referência àquele arrabalde. É gracioso o entrelaçar de bicicletas  em toda a extensão da rua principal num esforço de idas e vindas. E estas estradas são também destinos.

O Jatobá tem vida própria: sobrevive da pesca em seu manancial; da agricultura irrigada; das gangorras de sapatos; da mão de obra para a indústria e comércio; das doações do padroeiro, em noites de quermesses; da renda das domésticas, que emprestam os seus afazeres para as casas de madames; do saldo das brigas entre vizinhos; do comércio do sexo, cultura milenar; e, ainda, da imaginação daqueles que não tem o que fazer. 

Dizer que o Jatobá é suburbano é dizer pouco. Tudo ali é visceral. As esquinas do bairro mais parecem periferias do homem. Não há espaço para a razão. As pendengas se resolvem com o coração.
Atenho-me à represa, homônima do bairro, que já foi motivo do abastecimento de nossas casas: açude de brocardos folclóricos que quando "sangra" vira festa... Escoando as reminiscências.  E que algumas vezes fez morrer os nossos filhos, pela imprudência atestada de tudo que é humano... E até mesmo a fatalidade é um acaso de Deus. 

Ah, Jatobá! Em teu solo pétreo está fincado o campus da UFCG, um berço de ensino e pesquisa; e que és chão para o Centro Social Urbano, lugar de aprimoramento e trégua; que és palco de escolas públicas e CIEP's; que a igreja São Pedro é o oratório de todas as vidas; e que tens, pela condição basilar de teu povo, o complexo de saúde Maria Marques. E estas coisas são apenas bons presságios; muito, ainda, haverá de surgir , feito inspiração poética, para galardoar tão intrigante estirpe.

Acredito, que a política que se avizinha, não permitirá mais espaços para as promessas infundadas; ou quem sabe, para as compras de votos, por meio de negociatas eleitorais. E que o povo, por sua própria consciência, atentará para o sufrágio quão arma da democracia; fazendo com que este fiel exercício de cidadania valha o preço de um futuro. Assim, a realidade de antes, castigada pelo tempo, será transformada em acrescentamento. 

Os desmandos, resquícios do coronelismo, ganharão contornos de jardins de flores, e as suas mais variadas cores abarrotarão os dias de sol.
O que outrora era uma fotografia borrada, meio fora de foco, de um bairro em processo civilizatório acanhado, passará a ser um horizonte de proporções sem fim. Sintam-se orgulhosos, filhos de minha terra; compatrícios, de uma época, em que vale a pena sonhar.

* Editorial do programa radiofônico "Fazendo acontecer" de responsabilidade da prefeitura municipal de Patos, em 15 de maio de 2008.

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