Anchieta Guerra - 12 de Setembro de 2017 - (1816 j leram)

UM GATO MARCADO PARA MORRER! (O Ngo). Por Anchieta Guerra

– A minha história é uma saga de tristeza e sofrimento que culminou em minha morte! Quis o destino colocar no meu caminho alguns “humanos” portadores de ódio, frieza, maldade, egoísmo, insensibilidade, perversidade e subserviência ao mal! Foi em minha caminhada sofrida, por ser alvo do ódio dos “humanos” e viver a mercê de alguns deles, que eu fui mais uma vez atacado por um raivoso, que com chutes e pontas-pés, dilacerou parte da minha orelha e parte de minha boca. Fiquei por muitos dias convalescendo por conta da infecção das feridas que surgiram, quando um humano de verdade (desconhecido), se sensibilizou com minha situação e me tratou com remédios e comidas até as feridas sararem. Por conta do tratamento e a recepção dada pelo desconhecido, todos os dias mim deslocava até o local onde ele colocava alimentos para os diversos animais que por ali trafegavam. No entanto, o chefe da empresa em que ele trabalhava não aceitava a minha presença nas proximidades do muro da empresa. Então, ele passou a me perseguir de maneira implacável, usando contra mim todo poder, “podre”, que possuía, através de seus subalternos.

– Foram várias ações contra mim. O meu primeiro sofrimento causado pela sua ação ocorreu quando um auxiliar dele (bajulador), me colocou em um confinamento de uma caixa de papelão por mais de uma hora, sendo jogado em seguida numa área deserta próximo ao município de Santa Gertrudes PB, a aproximadamente, 18 quilômetros de distância de onde eu habitava. Foram passados dias e noites de sofrimentos causados pela fome, sede e o cansaço. Mas, mesmo debilitado, depois de vinte e cinco dias (25) eu consegui retornar para meu lar; para meu ambiente familiar. Posteriormente, após alguns dias de receio, a necessidade em razão da fome, me obrigou novamente, a buscar o local onde o desconhecido colocava comida para os animais, para me alimentar. Foi então, que os meus algozes notaram minha presença na área novamente, e começou uma nova via-crúcis em minha vida. Assim, novamente, foi posto em prática pelos meus algozes, uma nova “sentença” contra mim. Fui confinado novamente, dentro de uma caixa de papelão bem lacrada, quase sem ar para respirar e trancado na mala de um carro da empresa que eles administravam. Mesmo sufocado e quase sem ar para respirar, conseguia sentir a vontade e o desejo do algoz que me trancara e me transportava na mala do carro para me lançar num lugar ermo, para agradar ao seu chefe.

 – Fui deixado de maneira cruel e fria após a cidade de São Mamede, PB, a aproximadamente, 22 quilômetros da minha convivência em vida; do meu aconchego diário. Novamente, me vi jogado e desprezado pela à ação de um “humano” num lugar que eu não conhecia, e que ficava muito distante do meu lar; de minha morada; do lugar que esse ser abominável retirou-me à força, para me despejar como se fosse um saco de entulho!  Foram mais sofrimentos e angustias! Minhas saudades e minhas lembranças me davam forças e coragens para enfrentar as adversidades que encontrava nas noites sombrias, solitárias e angustiantes! Embora, quase sem forças e debilitado, após se passarem quarenta e cinco dias (45), de labuta; de fome, sede e medo, eu consegui retornar ao meu convívio com vida! Mas, como já era de se esperar, meus algozes não se conformaram com o meu retorno, e desta vez, o algoz mais subserviente de todos (o bajulador), garantiu ao chefe que eu não retornaria jamais!  A partir daí, eles arquitetaram mais uma solução para o “problema” – que só eles enxergavam – E decidiram, portanto, pelo meu último adeus!

– Iniciou-se, então, minha ultima via-crúcis, da mesma forma das anteriores, ou seja, fui confinado e transportado na mala do carro da empresa que ia com destino a João Pessoa. Desta vez, o meu algoz se achando dono da situação, por saber que eu não possuía mais forças para me rebelar contra a “força” da mediocridade que campeava na mente daquele ser abominável, que só conseguia dormir em paz quando fazia uma ação de agrado pro chefe, comemorava a sua atitude de subserviência com o entusiasmo de um cretino vitorioso!  E assim, conclui que não teria mais retorno para mim. Meu algoz, na ânsia de deixar registrado seu prazer, pronunciou a seguinte frase: - “Eu quero ver se ele consegue descer a serra?” E, caiu na risada. Deixou-me triste e sofrido, jogado nas proximidades da cidade do Junco do Seridó-Pb, distante a quase 70 quilômetros de minha origem, do meu lar. Deixando como presente para mim um grande obstáculo, uma Serra com uma geografia tortuosa e composta por vários abismos e animais ferozes. Foi meu fim! Nunca mais eu pude me alimentar, pois não conseguia nem alimentos, nem água pra beber. Morri só e desprezado em razão da ação do “homem”, que só queria agradar ao chefe, com a intenção única de usufruir das benesses do seu admirado chefe! 

– Fui, então, em sonho, até aquele homem que me dava comida e água e repassei os fatos desta minha triste via-crúcis que o destino me reservou pelas mãos dos “humanos” que acham que só o dinheiro, o poder e as vantagens matérias são importantes na vida!  Um dia, certamente, vocês que fizeram isso comigo irão prestar contas a uma força maior e onipotente que lhes espera para ouvi-los no dia do “Juízo Final”; Uma força diferente das que vocês pensam que tem. Então, vocês nesse dia, irão esbravejar ao invés dos sorrisos de satisfação e cinismos, de quando me fizeram, simplesmente, de um “objeto” sem valor algum!    

– Quando houver Justiça um dia, ai sim, vocês irão para a “triagem”!
•    Que vocês possam um dia sonhar comigo, ali no portão da empresa, esperando um pouco de comida para saciar minha fome;
 
•    Que vocês possam um dia, quando forem beber água, se lembrar de mim;

•    Que vocês, quando passarem pela serra de Santa Luzia, onde o insignificante ser subserviente de chefe me jogou, possam se lembrar de mim;
 
•    Que um dia, vocês recebam o fruto de suas ações, e se lembrem de mim!

LEMBREM-SE:

“Um dia nós nos encontraremos, seja lá onde for”!


Patos, 08/09/2017
Anchieta Guerra

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